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Ebook · uma semana por pasta

Bem falada por aí

Este é o ebook do método, escrito pra ser lido uma semana por vez. Cada pasta traz a leitura daquela semana, dividida em quatro fichas que abrem pela lateral, com os prompts prontos pra copiar, exemplos de gente de verdade, os erros que eu mais vejo e a lista do que levar pronto pro encontro. São dezesseis fichas ao todo, e cada uma leva de dez a quinze minutos de leitura. Você não precisa ler tudo hoje: leia a pasta da semana, faça o que ela pede, e volte na quarta seguinte.

Semana 1

quarta, 26 de agosto · 19h às 21h

O retrato

Antes de mudar qualquer coisa, você precisa ver o que a máquina responde hoje quando perguntam do seu ramo

A janela limpa

Vou começar por aqui porque este é o erro que estraga o teste inteiro, e eu cometi ele na primeira vez que fui olhar pro meu próprio nome. Abri o ChatGPT do jeito que abro todo dia, logada, na mesma conta onde eu já tinha conversado sobre o meu próprio negócio umas trinta vezes, e perguntei quem era boa no meu ramo. Ele me citou. Fiquei uns bons minutos achando que estava tudo certo.

Não estava. Ele não tinha me encontrado na internet, ele estava lembrando de mim. É a diferença entre alguém falar bem de você numa roda de amigas e alguém falar bem de você numa reunião onde ninguém te conhece. A primeira não prova nada.

A mulher que vai te contratar nunca conversou com aquele modelo sobre você. Ela chega do zero, com o problema dela na cabeça e nenhuma informação sua. Então o teste só vale se você chegar do zero também.

O que é memória, em português

Os modelos guardam duas coisas diferentes sobre você, e vale saber separar. A primeira é o histórico da conversa, tudo que foi dito naquele fio, do começo ao fim. A segunda é a memória de longo prazo, que atravessa conversas e fica salva na conta. É essa segunda que estraga o teste sem você perceber, porque ela funciona em silêncio. Você abre um chat novo, acha que começou limpo, e ele já sabe que você é arquiteta em Belo Horizonte.

Some a isso a personalização por localização, por idioma e por histórico de busca, e o retrato que sai é um retrato do que a máquina sabe de você, não do que ela responde sobre a sua profissão. São perguntas diferentes e a resposta certa depende de qual delas você quer responder. Nesta semana a gente quer a segunda.

Como zerar cada um

Onde desligar a memória antes de perguntar
  • ChatGPTConfigurações, Personalização, Memória, desligar. Ou simplesmente abrir uma janela anônima do navegador e usar sem login. A janela anônima é mais garantida, porque desliga tudo de uma vez e não depende de você lembrar de religar depois.
  • GeminiSair da conta Google, ou usar janela anônima. O Gemini logado puxa muito do seu histórico de buscas, e se você passou a semana pesquisando o seu próprio nome, ele vai achar que o seu nome é relevante.
  • PerplexityJanela anônima resolve. Ela é a que menos personaliza, então é a mais confiável pra linha de base. Se você tiver pouco tempo e quiser fazer só um motor direito, faça este.
  • Resposta de IA do GoogleJanela anônima e, se der, sem informar localização. Senão ela puxa o resultado do seu bairro e distorce. Aparecer porque você está a trezentos metros do celular que perguntou não é aparecer.

Janela anônima se abre com Ctrl+Shift+N no Chrome e no Edge, e Cmd+Shift+N no Mac. No Firefox e no Safari é Ctrl+Shift+P e Cmd+Shift+N. Vale deixar uma janela dessas aberta só pra este trabalho e não usar ela pra mais nada durante o teste, porque no minuto em que você logar em qualquer coisa dentro dela, acabou a limpeza.

As três coisas que você não faz durante o teste

Não diga o seu nome antes de perguntar. Se você escreve "sou nutricionista em Fortaleza, o que você sabe sobre mim", acabou o teste. Você entregou a resposta. É o equivalente a fazer uma pesquisa de mercado dizendo pra pessoa qual é a marca que você quer que ela escolha.

Não corrija a máquina. Se ela errar feio, anote e siga. A vontade de dizer "não é bem assim, eu faço isso desde 2011" é enorme e é humana, e ela contamina a conversa inteira dali pra frente. Tudo que vier depois da sua correção vem contaminado, inclusive as respostas que parecerem boas. Guarde a correção pro caderno.

Não rode tudo numa conversa só. Cada pergunta em uma conversa nova. Se você emenda as cinco no mesmo fio, a segunda já responde influenciada pela primeira, a terceira pelas duas anteriores, e no fim você mede um eco em vez da realidade. Cinco perguntas, cinco conversas, e em cada motor a mesma coisa.

Por que duas rodadas e não uma

Rode cada pergunta duas vezes, em conversas separadas. Os modelos variam de propósito, tem um grau de aleatoriedade embutido no funcionamento deles, e não é defeito, é projeto. Duas respostas diferentes pra mesma pergunta são normais.

Isso importa pro seu diagnóstico. Se o seu nome aparece numa rodada e some na outra, você está no limiar, quase entrando, e isso é uma situação bem diferente de nunca aparecer. Quem está no limiar precisa de menos trabalho pra estabilizar do que quem está fora. Anote as duas rodadas separadas, não junte numa média.

Onde anotar

Uma planilha simples, uma aba por motor, uma linha por pergunta, duas colunas de resposta, uma pra cada rodada. Cole a resposta inteira, não o resumo. Daqui a noventa dias você vai querer comparar palavra por palavra, e a sua memória do que estava escrito vai ser generosa demais com você ou dura demais, nunca exata.

Se planilha te trava, use um documento de texto com as perguntas em negrito e as respostas embaixo. O formato importa menos que o hábito de colar a resposta inteira e datar. Data em tudo. Sem data, daqui a três meses você não vai saber se aquilo é o retrato de agosto ou de outubro, e o retrato perde metade do valor.

Quanto tempo isso leva

Cinco perguntas, quatro motores, duas rodadas dá quarenta consultas. Parece muito escrito assim. Na prática são duas horas, porque cada consulta é copiar, colar, esperar dez segundos e colar a resposta na planilha. Eu faço numa noite, com a novela ligada, e não é trabalho intelectual nenhum.

Se duas horas não couberem nesta semana, corte pela metade com honestidade: três perguntas em vez de cinco, e dois motores em vez de quatro. Escolha a primeira e a segunda pergunta, que são as que mais se parecem com a vida real, e escolha ChatGPT e Perplexity. Meio retrato feito vale muito mais que retrato completo que não aconteceu.

O que não fazer com o resultado

Não mande print no grupo das colegas antes de ter classificado o seu cenário. Eu sei que a vontade é grande e sei que a conversa é boa. O problema é que o grupo vai reagir emocionalmente, você vai reagir à reação, e a leitura técnica se perde no meio. Classifique primeiro, converse depois. A conversa fica melhor.